
Paulo Xaparral
Já há quem está reservando dinheiro para assistir aos jogos da seleção canarinho no mundial. Se a Copa 2014, estimada em 4 bilhões de reais, tiver o mesmo tratamento dos Jogos Pan-Americanos realizados este ano no Rio de Janeiro - orçado inicialmente em 400 milhões de reais e ao final gastou-se quase dez vezes mais, o que já está sendo sondado como mais novo alvo de uma CPI - haja dinheiro para a Copa. Usaremos o tema futebol, que é uma das paixões do povo brasileiro, para traçar um paralelo com o sistema político.
Para disputar um campeonato um jogador tem que estar inscrito em uma equipe e na competição. Até aqui o mesmo vale para um candidato que quer pleitear um cargo público, estar filiado a um partido político e ser inscrito no processo eleitoral. Para ser campeão - como exemplo, o campeonato de pontos corridos – a equipe precisa fazer mais pontos que seus adversários, ou no caso de empate, superar o(s) rival(is) no critério de desempate estabelecido antes do início do campeonato.
Por que então, na política não são eleitos os candidatos com maior número de votos? Uma falha na legislação eleitoral permite que candidatos com menos votos sejam eleitos no rastro de companheiros de partido/coligação que conseguiram expressiva votação, superando o tal quociente eleitoral e emprestando seus votos extras. Porém, ao sair de uma equipe de futebol, o atleta continua campeão, tanto como o clube. E o que fazer com o político que se aproveita da estrutura de um partido e/ou coligação para logo após a eleição mudar de partido? O torcedor que é fiel ao seu time nas horas boas e ruins concorda com seu candidato trocar de camisa? Não seria hora de levar a mesma paixão com que o brasileiro tem pelo futebol à política e despachar pra casa todos aqueles que trocam mais de partido que de terno?
Está na hora de refletirmos profundamente o que é ser político, não aceitando vira-casacas, tendo amor pela política tanto quanto pelo futebol e dando cartão vermelho aos políticos se dizem preocupados com o interesse do povo mas que estão apenas de olho nos louros da vitória.