Por Ricardo Recchia
Editor do blog Barra Bonita 2008
Para quem ainda não teve a oportunidade de ler, reproduzo abaixo trechos da entrevista concedida pelo sociólogo e analista político Alberto Carlos Almeida, publicada hoje no jornal Comércio do Jahu.
Almeida lançou este ano o livro A Cabeça do Eleitor, resultado de pesquisa em mais de 150 votações em todo o País nos últimos anos. No livro, ele traça o comportamento do eleitorado brasileiro.
O autor é, verdadeiramente, um cientista político. E sua lógica surpreende, pela coincidência com o resultado das eleições em Jaú, Barra e região.
Confira alguns trechos dessa entrevista:
Comércio – Qual o valor real das pesquisas eleitorais no que diz respeito à influência na decisão dos eleitores?
Alberto Carlos Almeida – A pesquisa eleitoral influencia muito pouco. O eleitor tem razões mais importantes para escolher seu candidato do que uma pesquisa. A grande maioria dos eleitores não acompanha o processo eleitoral com este nível de detalhamento. Uma grande parcela dos eleitores ainda interpreta as pesquisas incorretamente, passa valores equivocados para terceiros. Eu chamo a pesquisa eleitoral de marketing eleitoral científico, o marketing não mágico.
Comércio – O senhor abre o primeiro capítulo do livro afirmando que “há eleições possíveis de serem vencidas e outras, impossíveis – quem manda é o eleitor”. O que determina o voto das pessoas?
Almeida – O mais importante, de longe, é aquilo que eu chamo de “avaliação de governo”. O livro mostra que, na maioria das eleições realizadas no Brasil após o regime militar, os índices de avaliação do governo, tanto positivos quanto negativos, tiveram relação direta com o resultado do pleito. Depois, o candidato precisa ter identidade clara e suscitar um grau de lembrança no eleitor, o chamado recall. A maneira como ele faz uso de seu currículo. Que capacidade ele tem para resolver seus problemas. Por fim, o potencial de crescimento eleitoral, quando ele pode ser bem conhecido, mas tem alta taxa de rejeição. O eleitor segue uma lógica, um ranking, na hora de votar, tendo como base sua própria realidade e os problemas que afetam o seu dia-a-dia.
Comércio – O senhor diz no livro que questões como ética, corrupção e separação entre o público e o privado não influenciam o eleitor. Vota-se de acordo com suas necessidades imediatas, é isso?
Almeida – Temas como a corrupção têm peso menor, é claro. O eleitor quer votar em alguém que, pelo menos no discurso, possa resolver o problema dele de imediato. O eleitor é pragmático, vota pensando em si próprio. Para o eleitor médio, governante ruim é aquele que não resolve os problemas básicos que ele enfrenta na sua cidade, como saúde, educação, transporte, limpeza pública, etc.
Comércio – O senhor comenta em seu livro que para o eleitor médio, artigos de jornal e colunas não têm tanta influência.
Almeida – O processo de comunicação nas eleições é um processo cumulativo. O eleitor médio vê pouco. Então, o importante é que o candidato seja repetitivo. Essa é a idéia, que dê mensagem clara de forma repetitiva.