quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

"Hoje eu ando pela rua de cabeça erguida"



Mário Teixeira desafia: "Peço que comparem o meu governo com os anteriores"



Por Ricardo Recchia
ricardorecchia@hotmail.com


O prefeito de Barra Bonita, Mário Donizeti Floriano Teixeira, do PC do B, apresentou na manhã de hoje um detalhado balanço dos seus quase quatro anos à frente do Executivo municipal.
Teixeira deixará para o seu sucessor, o prefeito eleito José Carlos de Mello Teixeira, mais conhecido como Nenê, mais de R$ 1,9 milhão em convênios assinados para a realização de obras (veja quadros abaixo).
O prefeito de Barra Bonita falou sobre o avanço do município quanto ao desenvolvimento econômico e social, fazendo referência às obras de infra-estrutura no Parque Industrial São Domingos, que estavam paralisadas há anos, a construção do Centro Vocacional Tecnológico (CVT), além de reformas nas escolas municipais e praças esportivas.
Na área da saúde, Teixeira enfatizou a construção do posto de saúde no bairro Sonho Nosso 2, que será inaugurado amanhã, e do Centro de Saúde Mental, além da reforma nos PAS da Vila Correa e Vila Habitacional, concluídos no segundo semestre deste ano.
Leia abaixo os principais momentos da entrevista coletiva, que contou com a participação de representantes dos veículos de comunicação Jornal ET, Jornal O Mirante, Jornal Mais Igaraçu, Jornal da Barra, Comércio do Jahu e O Eco, além da Rádio da Barra e 89 Novo Som FM:


Crescimento
“Eu cresci bastante na compreensão da vida do ser humano. Chego ao final do mandato andando pelas ruas com muita tranqüilidade, conversando com as pessoas, ando com a cabeça erguida, sem medo de ser atacado por alguém na rua. Estamos terminando muito bem a nossa administração”.


Marca
“Essa gestão ficará marcada pelo recebimento de recursos, tanto do governo estadual quanto do governo federal”.


Pontos positivos
Acho que foram nossos contatos políticos. Conseguimos recursos do governo estadual e do governo federal. Apenas 40 municípios do Brasil receberam o CVT, e Barra Bonita foi um deles. Conseguimos regularizar os recursos que estavam pendentes. Poucas cidades da região têm um aterro sanitário controlado como o nosso. Teve também a criação da Ecobarra, a universidade municipal de educação à distância, a capacitação dos professores, o apostilamento do ensino. Preparamos a cidade para crescer ainda mais no futuro. Deixamos 40 mil metros quadrado para que as empresas possam se instalar em Barra Bonita. Trouxemos uma empresa de médio porte, a JLJ, e a Jauform está em fase de implementação”.


Pontos negativos
Acho que deixamos a desejar no serviço de limpeza pública. No recolhimento de entulho e varrição em geral. Oferecemos muitos exames e medicamentos nos postos de saúde, mas acho que faltou um atendimento humanizado. Acho que poderíamos ter melhorado também alguns projetos de geração de emprego e renda. Mesmo assim, conseguimos a volta da extração da argila para a cidade, o que ajudou a indústria cerâmica. Infelizmente, as coisas caminharam melhor apenas a partir do terceiro ano de mandato”.


Turismo
“Barra Bonita participou dos principais eventos do setor em nível estadual e federal. Infelizmente, não conseguimos o apoio nem dos próprios empresários do município, que não mandavam o material para a gente divulgar. Acho que deixamos como legado uma boa infra-estrutura turística, com a reforma de praças e jardins. E demos o pontapé inicial para a ampliação da Avenida Rosa Zanella Petri, para além do morro dos Petri, que deve ajudar a desenvolver o turismo da cidade”.


Troca de assessores
“Eu dei espaço e liberdade para todos os assessores trabalharem. Alguns pediram para sair porque conseguiram outras ocupações. Acredito que a troca de comando em alguns departamentos não afetou o andamento dos trabalhos da administração. Quem ficou buscou fazer o melhor, e seguiu o cronograma de acordo com a realidade financeira do município”.


Justiça Eleitoral
“O processo foi mais complicado nos dois primeiros anos, até meados de 2006, por conta das decisões judiciais. Mas mesmo assim acho que demos nossa contribuição à cidade. Converso com muitos prefeitos e eles relatam as dificuldades do dia a dia. Mesmo com tudo o que passamos, após ganharmos na Justiça o direito de administrarmos a cidade, conseguimos trabalhar normalmente”.


Agonia e glória
(O prefeito comenta como conseguiu superar a rejeição popular – aproximadamente 80% no mês de abril passado – e terminar em segundo lugar nas eleições, na frente de figurões da política).
“Eu acho que a rejeição não era contra mim, mas contra o grupo político que eu estava na época. Mas eu mostrei na campanha eleitoral que tinha um outro grupo comigo, com pessoas que confiavam no potencial da cidade. Eu foquei a minha campanha não em promessas, mas em realizações. As pessoas percebem que eu não menti. Eu consegui trabalhar normalmente depois das eleições, e a minha imagem foi recuperada”.


Campeão moral
“Saio da administração com a sensação de dever cumprido. Ando tranquilamente pelas ruas e sou bem recebido. Para mim, eu sai vitorioso no processo eleitoral. As pessoas viram o que nós fizemos. Eu executei mais de 30 obras e estou trabalhando até agora. Não parei”.


Ao final da entrevista, o prefeito Mário Teixeira fez mistério em relação ao seu futuro a partir de 2009. Ele não revelou se continuará exercendo o sacerdócio, nem se candidatará a algum cargo eletivo.
“Deixe para uma próxima entrevista. Ou vocês não terão mais nada para falar de mim”, brincou.